Mt 26:17-30; Mc 14:12-26; Lc 22:7-23 e 1ª Co 11:23-29
09/03/2009
Em Atos 2:46 fala sobre “o partir do pão” que servia á um duplo objetivo: era vínculo de comunhão (1ªCo 10:16) e meio de sustento para os mais necessitados. Em seu seio, o sustento dos menos favorecidos era feito mediante as ofertas dos mais “privilegiados”, de sorte que “todos tinham tudo em comum” (At. 2:44). Mas o “partir do pão” era muito mais que isso, era um memorial e uma continuação da última Ceia do Senhor Jesus com os seus discípulos, antes de sua crucificação (1ª Co 11:23).
Paulo, atribuíra grande valor á Ceia do Senhor, que era para ele “COMUNHÃO” do Corpo e do Sangue de Cristo, mediante o qual “anunciais a morte do Senhor, até que Ele (Cristo) venha.
Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos (João 6:53),
A Ceia do Senhor, torna-se aqui, um sacramento místico necessário á união com o Cristo Ressurreto, que produz uma imortabilidade bem-aventurada. Inácio de Antioquia, condenado por ser cristão, nos últimos anos do reinado de Trajano (110-117), foi mandado como prisioneiro para Roma, para ser lançado ás feras, escreveu várias cartas breves, além de uma mensagem pessoal á Policarpo, Bispo de Esmirna. Inácio asseverava que a união com Cristo é necessário á vida: “fora do qual não podemos ter a vida verdadeira”, vida, não significa para esse escritor, simples existência... “os pontos de vista que apresenta são de índole Paulina, embora desenvolvidos no sentido de um misticismo muito mais intenso, cujo ponto focal é a idéia da vida e da união com Cristo, os ofícios eram celebrados no domingo e, provavelmente, também em outros dias, eram de dois tipos, desde os tempos dos apóstolos: reuniões para a leitura das Escrituras, pregação, hinos e orações; e uma refeição comunitária á noite, associada á Ceia do Senhor. Ao tempo que Justino Mártir escreveu sua apologia em Roma (153), a refeição tinha desaparecido e a Ceia tinha sido unida à reunião de pregação, na forma de sacramento final.
A Ceia era a ocasião em que se faziam ofertas para os necessitados, segundo Justino, o Mártir (153), que também declarou que a Ceia do Senhor já havia sido separado da refeição comunitária.
O ambiente onde a última Páscoa e a primeira Santa Ceia foram realizados era especial, “... um espaçoso cenáculo mobiliado e pronto...” (Mc 14.15). O termo grego para “cenáculo”, anagaion, diz que era “uma sala no andar superior” da casa, onde costumeiramente se realizavam as refeições. O cenáculo era coberto de tapetes e talvez mobiliado com divãs --- uma espécie de sofá sem encosto, feito de tapetes, conforme expressa a palavra “mobiliado”, no grego estroménon.
A celebração da ceia para os seus discípulos naquele cenáculo era completamente diferente das ceias anteriores, pois seu Mestre seria o próprio elemento a ser celebrado, representados na ocasião pelo pão e o pelo vinho, “... isto é o meu corpo, que é dado por vós...” ( 1º Co 11.24). Os elementos tipificavam sua vida e morte em favor dos homens. A essência da Santa Ceia é a comunhão. Comum-união entre os discípulos, “... somente um corpo e um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.4-6).
Ceia é isto, é compartilharmos a mesma esperança de renovo, “...até que Ele (Cristo) venha” (1º Co 11.26).
A Exegese do versículo 17
“Nisto, porém, que eu vou dizer” (vos declaro) 1º Co 11:17 - grego: paraggello = parangello = anunciar, proclamar, transmitir uma ordem, ordenar, prescrever, convidar, pretender um cargo, advertir, transmitir uma mensagem de uma pessoa para outra, declarar (usado especialmente para as ordens do comandante militar, que é passado aos subordinados por meio da cadeia de comando), é o que fala de um encargo autorizado. A situação é séria, e Paulo não está simplesmente oferecendo uns poucos comentários acadêmicos. Ordena que se corrija a prática. Ao introduzir a seção anterior, ele pudera elogiar os Coríntios pela maneira como eles guardavam as tradições. Quando passa a tratar do assunto da comunhão, vê que não pode louvá-los.
Expressa a máxima condenação de todas as vezes que se reúnem para o culto, em vez de a comunhão ser um ato edificante, estava tendo um efeito dilacerante, causava danação.
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão...” (verso 23). O acréscimo "do Senhor" implica que a refeição era ordinária, mas que recebe seu caráter de ser do Senhor. O que Paulo pregou tinha sua origem com o Senhor Jesus Cristo e por revelação direta concernente a Ceia do Senhor - comp. Gl.1.12 - "Na noite em que foi traído", o tempo imperfeito implica que sua traição ainda estava acontecendo - grego: Paradidwmi = paradidomi = entregar, transmitir por sucessão, dar de mão em mão, legar à posteridade, entregar (por traição), atraiçoar, confiar, abandonar, permitir.
O propósito -- “Fazei isto em memória de mim...” Lc 19.22. A Ceia do Senhor é a nossa oportunidade para lembrar o sacrifício que Jesus fez na cruz, pelo qual nos oferece a esperança da vida eterna.
Os símbolos - Jesus usou dois símbolos para representar seu corpo e seu sangue, isto é, pão sem fermento (fermento para alguns teólogos, é símbolo de falsas doutrinas e de pecado Mt. 16:11-12;), para representar o seu corpo e o fruto da videira (suco de uva) para representar o seu sangue que estava para ser derramado na cruz do calvário Mt. 26:28. Os discípulos se reuniam no primeiro dia da semana (domingo) para participarem da ceia (Atos 20.7), e esta Ceia era entendida como um ato de comunhão com o Senhor (1º Co 10:14-22). A ceia do Senhor é um ato de comunhão entre cada cristão e o Senhor, e é também um ato de comunhão entre os cristãos, a ceia é um ato espiritual partilhado pelo Senhor com aqueles que estão em fraternidade com ele. Jesus não ofereceu o pão e o cálice á todos, mas somente aos seus discípulos conforme Mt. 26:28.1º (derramado por muitos, não todos, pois nem todos aceitam o sacrifício de Jesus) João conta-nos que somos, ou estamos aptos a participar com Deus na comunhão espiritual somente se andarmos na luz do seu caminho 1º João 1:5-7
O que significa participar “indignamente” 1º Co 11:27
A palavra “indignamente” é frequentemente mal entendida, ela não descreve a dignidade da pessoa (ninguém é verdadeiramente digno de comunhão com Cristo), esta palavra descreve o modo de como participamos desse ato de comunhão, sobre este assunto, o apóstolo Paulo não nos dá em 1º coríntios 11:27 nenhuma definição “direta” do que vem a ser comer indignamente... Analisando o contexto, ele queria dizer que a decência comum deveria ser observada, ou seja, não pode haver entre os cristãos, qualquer desordem de glutonaria, de embriaguez, egoísmo, de degradação a outros, de contendas etc.
Aqui , não é o adjetivo indignos de que fala o texto, mas, sim do advérbio indignamente.
A ceia é um rito memorial, ele anuncia a morte vicária de Cristo, que nos livra da escravidão do pecado, a ceia contém ainda o elemento esperança... Pois aponta para a volta de Cristo (ver-se aqui uma mensagem escatológica), de maneira que a participação indigna se torna uma irreverência para com o sacrifício de Cristo, levando o infrator a sofrer as penas de seu descuidado espiritual, 1º Co 11:27-30.
Há uma recomendação impressionante a respeito da participação na ceia do Senhor: “Por isso, aquele que comer o pão e beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor” 1º Co 11:27. Notai mais uma vez que o texto não diz indignos (pois todos nós somos indignos da comunhão da cruz, mas sucedeu que a nossa indignidade foi curada mediante a fé no sacrifício da cruz.
A ceia do Senhor é um ato memorial daquela que será realizada nas bodas do cordeiro, referido em Apocalipse, só participarão aqueles que estão em comunhão com o cordeiro de Deus, ou seja, aqueles que forem salvos, pois só irão aos céus aqueles que realmente forem salvos.
“Examine-se o homem a si mesmo” O que isso significa? 1º Co 11:28
Examinar a si mesmo implica não ser examinado por outrem, por terceiros, além da própria pessoa.
Em certa ocasião, ouvir de um celebrante da ceia a seguinte afirmação!... “Se eu souber que alguém na igreja está em pecado, eu não lhe darei a ceia, pois corro o risco de assumir sua culpa...”
A atitude desse celebrante (pastor) é uma atitude até em certo ponto louvável, todavia, a bíblia não dá á ninguém, inclusive a liderança de uma determinada igreja impedir quem quer que seja de participar da ceia, pois a ceia, conforme depreende-se do verso 22 e 23, foi dado á igreja e não para um individuo ou uma instituição eclesiástica em particular.
Na Bíblia, não existe um só versículo que me dá o direito de proibir alguém de tomar a ceia, a única responsabilidade do celebrante é pregar contra o pecado e informar quem está em pecado do perigo que ele ou ela corre de tomar parte na SANTA CEIA, mas, nunca lhe proibir. Veja o exemplo no livro de Ezequiel 3:17-21. “Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; quando ouvires uma palavra da minha boca, avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; se não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, a fim de salvares a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade; mas o seu sangue, da tua mão o requererei: Contudo se tu avisares o ímpio, e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade; mas tu livraste a tua alma. Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e praticar a iniqüidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque não o avisaste, no seu pecado morrerá e não serão lembradas as suas ações de justiça que tiver praticado; mas o seu sangue, da tua mão o requererei.
“Mas se tu avisares o justo, para que o justo não peque, e ele não pecar, certamente viverá, porque recebeu o aviso; e tu livraste a tua alma”.
Ezequiel é um livro clássico no que tange a responsabilidade de um atalaia do Senhor. Nos locais onde é citado a passagem da ceia (veja Mateus 26:26; Marcos 14:22; Lucas 22:19; e 1º Coríntios 11:23-24), todas as fontes bíblicas dizem a mesma coisa sobre o que Jesus fez quando ele começou a ceia, e não proibiu nem mesmo a Judas Escariotes, que o traiu vergonhosamente. Nesse caso, fica a pessoa responsável por se examinar e constatar que estar ou não "indignamente" de participar da ceia, por causa de seu ESTADO e CONDIÇÃO, apesar é claro, do pecado poder lhe cegar o entendimento, mas, isso não nos dar o direito de fazer o julgamente por tal pessoa.
Sei que há muitas indagações a esse respeito, pois nenhum de nós quer ser “réu” do corpo e do sangue do Senhor". Afinal, “réu” é a pessoa que pode ser julgada e condenada por algo e, nesse caso, a pessoa que come e bebe, indignamente, pode ser julgada e condenada por ofensa CONTRA O CORPO E O SANGUE DO SENHOR. Está observando a “realidade” de “comer e beber indignamente”? É isso que devemos fazer, ensinar áqueles que estão presentes da importancia de eles estarem “aptos” a tomar o pão e vinho. Esse é o nosso dever, mas, não impedi-los de cear, mesmo essas pessoas estando em graves pecados, pois o problema agora passa a ser deles, e não de nós lideres.
Havia um homem, membro da igreja, que estava vivendo com sua madrasta. Seu pai provavelmente ainda estava vivo, mesmo assim estava tendo “um caso” com a mulher de seu pai.
O mais grave é que isto era do conhecimento não só da igreja, mas também da própria sociedade de Corinto. Era algo notório e se comentava; circulava rumores verdadeiros com respeito a este incidente.
"examine-se, pois o homem a si mesmo" - depois e somente depois desta autocrítica, coma, se houver qualquer acusação de sua consciência, por favor, não participe, a menos que haja aí um arrependimento genuíno, lembrando, pois que arrependimento também significa: reconhecer o erro e um desejo de não mais repeti-lo.
È obvio que Paulo recomendou que devesse expulsar o malfeitor que “tamanho ultraje praticou”, mas esse foi em uma outra ocasião, num ambiente fora do circulo da ceia.
Nota. “o comer indignamente (penso eu) é correspondente ao que aconteceu com Judas Iscariortes, trair Jesus, vendendo-o por trinta (30) moedas de prata, aquele que comer indignamente, faz o mesmo, trai a Jesus por tão pouco e acabando por perder a sua salvação...”
Na ceia do Senhor deve se fazer distinção entre o símbolo e a verdade simbolizada, o símbolo é a santa ceia e a verdade por ela simbolizada é a morte de Cristo pelos nossos pecados. Deve – se ter em mente que: toda irreverência, em torno dessa cerimônia, é uma ofensa contra a IGREJA que a celebra, “ou menosprezais a IGREJA de Deus” 1º Co 11:22. O apóstolo Paulo recebeu do Senhor esta revelação sobre o memorial da morte de Cristo e Ele (Cristo) não a entregou a algum indivíduo, ou a uma classe de pessoas privilegiadas, mas entregou á IGREJA de Cristo Jesus, a ceia do Senhor é ainda uma pregação apocalíptica e escatológica... “até que Ele (Jesus) venha, a ceia anuncia que Cristo vem nos buscar, ou seja, buscar a sua Igreja sem mácula ou manchas.
“Quem são os doentes, fracos e os que dormem? 1º Co 11:30
Compreendendo-se o tempo do verbo no referido texto, Observemos o que ele disse: “Eis a razão por que há (tempo presente) entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem, o termo grego para “dormem” (dormência espiritual) neste texto é koimontai, “cair no sono, morrer”. E o apóstolo Paulo ainda afirma que o número de pessoas nesta situação era alarmante, “... e não poucos...” no grego bikanós, Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados como o mundo" - 1 Coríntios 11:30-32.
"Quem come e bebe SEM DISCERNIR O CORPO, come e bebe JUÍZO PARA SI... Porque se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para nào sermos CONDENADOS COM O MUNDO" - Coríntios 11:29,31-32. Ser “condenado com o mundo” significa morrer em consequência das mesmas enfermidades que matam as pessoas do mundo; aqueles que não têm fé em Jesus. Mas por que isso acontece? Paulo afirma, na citação acima, que a razão disso era que esses irmãos comiam e bebiam 'sem discernir o corpo', ou seja, compartilhavam da Ceia do Senhor como se aquilo fosse um ato meramente religioso, cerimonial. É mais do que evidente que o Senhor Jesus não deixou a Ceia, na igreja, como um símbolo religioso. Tudo o que o cristão faz tem de ter uma condição real e prática.
Assim, precisamos considerar o verdadeiro significado de: 'discernir o corpo'. Para entendermos isso, temos de verificar por que razão Paulo deu essas instruções aos irmãos em Corinto, Observe:
"Não vos louvo, porquanto vos ajuntais, não para melhor, e, sim, PARA PIOR, Porque, antes de tudo, estou informado haver DIVISÕES ENTRE VÓS quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os APROVADOS se tornem conhecidos em vosso meio. Quando, pois, vos reunis (dessa maneira) no
mesmo lugar, NÃO É A CEIA DO SENHOR QUE COMEIS... Nisto, certamente, não vos louvo"- 1 Coríntios 11:17-20,22,
Observemos o que ele diz; “vos ajuntais...”, “PARA PIOR”, “divisões entre vós” e “não é a ceia do Senhor que comeis”.
Também nas igrejas de hoje, há um procedimento meramente religioso, cerimonial, que é chamado de ceia, mas que NÃO É A CEIA DO SENHOR, e que deve ser evitado, pois, agindo dessa forma, as pessoas estão “se ajuntando PARA PIOR”. E o que pode ser esse “pior” ? É o “não discernir o corpo”, ou seja; dar uma “aparência de estar JUNTOS”, quando, na realidade, há “DIVISÕES ENTRE NÓS”. Quando vamos nos conscientizar de que Jesus tem SOMENTE UM CORPO na Terra?
O verdadeiro significado de “igreja” e “corpo” tem sido deturpado através dos tempos. Precisamos discernir o que é nos reunirmos verdadeiramente para a “ceia do Senhor” e o que é apenas 'juntar-se para aquilo que é “pior”; pois, além das observações acima, Paulo afirmou que:
“Por isso aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, SERÁ RÉU DO CORPO E DO SANGUE DO SENHOR” -1 Coríntios 11:27.
Quem deve participar da Ceia do Senhor?
Aqueles que creram em Cristo como seu Salvador e, portanto, fazem parte de Seu corpo. Entende-se que somente os batizados em águas podem ceiar, pois o batismo é visto como um símbolo do início da vida cristã, enquanto a Ceia é um símbolo da permanência do crente, mas, de fato, ao aceitar a Jesus o novo-convertido já faz parte do corpo, a igreja.
Quando a ceia do Senhor foi separada da Festa Ágape?
“Ao longo do período do NT a Ceia do Senhor era uma refeição real compartilhada nas casas de cristãos” (John rane); “Nos primeiros dias a Ceia do Senhor aconteceu no curso de uma refeição comunal. Todos traziam a comida que podiam e depois a compartilhavam conjuntamente” (Donald Guthrie); “Em Corinto a sagrada comunhão não era simplesmente uma refeição simbólica como fazemos, mas uma refeição real. Além disso, parece claro que era uma refeição em que cada participante trazia comida” (Leon Morris).
Algumas outras idéias sobre a ceia do Senhor.
1 – É a reunião cristã que tem por maior finalidade refletir, promover e praticar a “Koinonia = comunhão” (Atos 4.32; 1º Co 1.9).
A palavra grega koinonia (comunhão) significa compartilhar ou participar mutuamente de algum evento comum ou acordo. No AT a idéia de comunhão diz respeito ao relacionamento do homem com o seu próximo (Sl 133.1) e não do homem com Deus. Mesmo o fato de Abraão ser chamado “amigo de Deus” (Tg 2.23) e Moisés ter falado com Deus face a face (Dt 34.10), não significa que hajam eles provado a mesma comunhão com Deus, como os crentes da nova aliança (Jo 15.14).
A comunhão no NT envolve tanto o relacionamento entre os irmãos como também com o Pai, com o Filho (1 Jo 1.3) e com o Espírito Santo (2 Co 13.13). A comunhão começa com a Trindade, e amplia-se para os filhos de Deus (Jo 17.3,6,10,11, 14). O termo grego koinonía envolve também as idéias de companheirismo e contribuição, pois essa é uma maneira de compartilharmos com outras pessoas de nossas posses materiais.
No grego, a idéia é expressa por um verbo e um substantivo, a saber:
1. Omiléo, (comungar com). Esse verbo aparece 3 vezes: (Lc 24.14,15; Atos 20.11 e 24.26).
2. Koinonía, (comunhão). Esse substantivo ocorre por 18 vezes: At 2.42; Rm 15.26; 1 Co 1.9; 10.16; 2 Co 6.14; 8.4; .13; 13.13; Gl 2.9; Fl 1.5; 2.1; 3.10; Fm 6; Hb 13.16; 1 Jo 1.3,6,7.
Somos participantes da mesma natureza: os redimidos e santificados. Partilhamos da mesma vida (a vida eterna que Cristo nos dá) e da mesma verdade (o testemunho do evangelho de Cristo).
As metáforas utilizadas para representar a igreja falam de comunhão:
· Somos uma família. Somos irmãos, da família de Deus (Ef 2.19; 3.15). Deus é representado como um Pai de família e nós, seus filhos e servos (Mt 12.49-50; 13.27; 20.1; 2 Co 6.18; 1 Jo 3.14-18). Devemos tratar uns aos outros como uma família (1 Tm 5.1,2).
· Somos um corpo, o Corpo de Cristo (Rm 12.4,5; 1 Co 12.12-27; Ef 4.15-16). Um membro do corpo de preocupar-se com o outro: orar, apreciar, preferir (Fp 2.1-4). Um corpo tem interação, os órgãos se comunicam entre si. Cada parte é útil para o corpo como um todo e há interdependência delas (Ef 4.16; Cl 2.19). A Igreja é um corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo. Ora, um corpo não pode subsistir sem que haja união entre seus membros, bem como entre os membros e a cabeça. Antes de existir comunhão precisa existir união. Uma é pré-requisito para a outra. Aceitar a Cristo é também aceitar fazer parte de seu corpo.
· Somos uma casa, edificada sobre a “pedra angular” que é Cristo (Hb 3.6; 1 Pe 2.4-8) e um edifício (1 Co 3.9).
· Somos uma videira - Cristo é a vinha, e nós somos os ramos, pelo que devemos pensar em uma comunhão orgânica (Jo 15.5), uma oliveira (Rm 11.17-24), uma lavoura (1 Co 3.6-9), e uma colheita (Mt 13.1-30; Jo 4.35).
Tipos de comunhão:
1. Celebração: Os crentes se reúnem para a adoração a Deus, desfrutando da presença de Cristo (Mt 18.20).
2. Refeição: os momentos de refeição em comum provêm, tanto em casa como em sociedade, momentos de intensa comunhão (1 Sm 16.11; 2 Sm 9.13; Lc 13.29).
3. Contribuição. O vocábulo grego koinonía pode significar contribuição (Rm 15.26 - refere-se à contribuição das igrejas para os crentes pobres de Jerusalém). Um bom membro da comunidade cristã compartilhava de sua abundância material com aqueles que possuíam menos; e isso era um tipo de comunhão. A comunhão indica “partilhar” de alguma coisa (2 Co 8.23; Rm 11.7; Fl 1.7; 1 Pe 5.1). Também indica participar com algo (2 Co 9.13; Fl 1.5; Rm 15.26; At 2.44; 4.32; Gl 2.9; 1 Jo 1.3).
4. A Ceia do Senhor. Para muitos cristãos, os termos “comunhão" e “Ceia do Senhor” são sinônimos.
A Ceia é comunhão (1 Co 10.16). Comunhão com o Pai e com o Filho (1 Jo 1.3)
Elementos que envolvem a comunhão:
1. Amor : A marca dos discípulos de Cristo é o amor uns pelos outros (Jo 13.35; 1 Jo 1.7). Amor fraterno deve existir entre os crentes (Hb 13.1; 1 Pe 3.8). A palavra no grego usada para amor fraternal é filadélfia. A igreja do amor fraternal, foi dito: “Guarda o que tens” (Ap 3.11).
2. União: Jesus declara que a unidade da igreja é um testemunho para os descrentes (Jo 17.20-23). Paulo conclama a igreja à união e não a divisão (1 Co 1.10-13). Quem ama a Deus e não ama a seu irmão, é mentiroso (1 Jo 4.20). Temos uma só fé, um só Espírito, um batismo, um Senhor (Ef 4.5,6; Fp 1.27). O caminho para a união é a humildade (Fp 2.2-5). É bom viverem (hebraico yachab: permanececer, habitar) unidos os irmãos (Sl 133.1).
3. Paz: Deus deseja que o corpo de Cristo se esforce para que tenha paz (Rm 12.18; 14.19; 2 Co 13.11; Cl 3.15; Ef 4.3; 1 Ts 5.12,13; 2 Tm 2.22; Hb 12.14; 1 Pe 3.11). Pelo Espírito Santo temos paz com Deus e com os irmãos (Rm 8.6; Gl 5.22).
O Senhor é Deus de paz (1 Co 14.33; Hb 13.20).
4. Atitude: Devemos estender a mão da comunhão (Gl 2.9). O trabalho social é também uma forma de evangelizar. Aliás, é essa a linguagem que o mundo entende (1 Jo 3.17).
5. Intercessão: a oração dos santos por outros é de suma importância para a perfeita comunhão (2 Co 1.11; Ef 6.18; Rm 15.30). O Espírito Santo muitas vezes desperta alguém no corpo de Cristo para interceder por outro (Ef 3.14).
6. Cuidado mútuo (Cl 3.16). A Bíblia manda fazer uns aos outros: servir humildemente (Jo 13.14; Gl 5.13), amar (Jo 13.34), preferir (Rm 12.10), receber (Rm 15.7), cumprimentar afetuosamente (Rm 16.16), suportar (Ef 4.2), perdoar (Ef 4.32), ensinar (Cl 3.16), consolar (1 Ts 4.18), edificar (1 Ts 5.11).
7. Uso dos Dons espirituais: São concedidos por Deus para promover a edificação (1 Co 14.26; Ef 4.12) e a unidade da igreja (Ef 4.13, 1 Co 12.25). Deus repartiu com os membros dons diferentes (1 Co 12.29,30), para que haja diversidade na realização da Sua obra (1 Co 12.4-6), atendendo a cada necessidade do Corpo de Cristo (Rm 12.4-8; 1 Co 12.17-20). Esta diversidade dos dons também promove a interdependência entre os membros, para que ninguém se julgue superior ou auto-suficiente (1 Co 12.21,22).
Fomos chamados à comunhão (1 Co 1.9). Devemos “levar a carga uns dos outros” (Gl 6.2). A comunhão não é uma opção, mas a única possibilidade que nos foi ordenada (Ef 4.1-3).
Exemplos bíblicos de comunhão: Jônatas (1 Sm 23.16); Davi (Sl 119.63); Daniel (Dn 2.17,18); os apóstolos (At 1.14); a Igreja primitiva (At 2.42); Paulo (At 20.36-38).
Comunhão entre as igrejas
A unidade da igreja não implica num único governo eclesiástico mundial, mas no senhorio de Cristo sobre toda igreja local. Devemos trabalhar para manter a unidade do Corpo, pois a Bíblia nunca recomenda a separação entre salvos, mas somente entre salvos e incrédulos (2 Co 6.14).
Separação do mundo
Não devemos manter comunhão com os ímpios (2 Co 6.14-17). Eles estão fora da comunidade dos salvos. A comunhão de duas naturezas espirituais opostas (luz/trevas, santo/impuro, Cristo/demônios) é impossível.
Lembre-se:
Comunhão é “um compartilhamento íntimo e amoroso de certas bênçãos espirituais por pessoas que estão na mesma condição diante da benção que compartilham” (A.W. Tozer).
Lembre-se: “Toda teologia deve ser escrita a lápis”
Bibliografia
WALKER, W. História da Igreja Cristã. Vol. I e II, Ed. JUERP
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
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STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
REIS, Roberto dos. A Santa Ceia, Um estudo bíblico e histórico da celebração do corpo de Cristo- CPAD
CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002.
TOZER, A.W. Verdadeiras Profecias: para a alma em busca de Deus. São Paulo: Editora dos Clássicos, 2003.
Por Pb. Carlos Antônio Santos de Novais
Bacharel em Teologia pelo Instituto Teológico no Centro Evangelístico Urbano - ITCEU
Bacharelando Teologia pela Faculdade El Shadai de Teologia Evangélica - FETEV